Wednesday, August 12, 2009




" uma vez no barulho da guerra, eu vencendo, aí estremeci num relance claro de medo - medo só de mim, que eu mais não me reconhecia. Eu era alto, maior do que eu mesmo; e de mim mesmo eu rindo, gargalhadas dava. que eu de repente me perguntei, para não me responder: -'Você é o rei dos homens?...' Falei e ri. Rinchei feito um cavalão brabo. Desfechei. Ventava em todas as árvores. Mas meus olhos viam só o alto tremor da poeira" Grande Sertão: veredas, 1957.



...





tem que nasça de olhos bem abertos,

quem brinca com o coração batendo bem forte,

tem quem não parece temer.

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A paz está na guerra.

O descanso é o descanso da batalha.

Uma aragem a caminho,

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Coragem mesmo se tem em qualquer lugar.






Para a Gallo Azuhh.



Wednesday, July 01, 2009


e talvez, em um desses dias de partida eu também possa entregar uma chave velada, em meio a um estranho aperto de mão. tua mão que nem imagina o que tem entre as minhas. te confio em meio a esse aperto, um segredo: hoje eu quero só um passeio.
...
ontem Chico me mostrou um poema do Vinícius que ficou martelando na minha cabeça. ele tá aqui hoje. porque hoje é um desses dias em que nem chove e nem faz muito sol. desses dias em que a gente tem mesmo vontade de se perder no caminho. e que prazer estranho esse de se descobrir bem no meio de um outro caminho. era um poema bonito. nem parecia com aquelas coisas bonitas que o Vinícius escreve. parecia mais com uma história. era um poema bonito e eu não sei guardar segredo. Não lembro o nome do poema, porque o li enquanto folheava o livro e conversava com Chico, dizendo olha esse como é bonito. numa dessas tardes de boa e velha vizinhança.

Wednesday, June 10, 2009

BOI MORTO
(Opus 10. Manuel Bandeira)
Como em turvas águas de enchente,
Me sinto a meio submergido
Entre destroços do presente
Dividido, subdividido,
Onde rola, enorme, o boi morto
Boi morto, boi morto, boi morto.
Árvores da paisagem calma,
Convosco -altas, tão marginais! -
Fica a alma, a atônita alma,
Atônita para jamais.
Que o corpo, esse vai com o boi morto.
Boi morto, boi morto, boi morto.
Boi morto, boi descomedido,
Boi espantosamente, boi
Morto, sem forma ou sentido
Ou significado. O que foi
Ninguém sabe. Agora é boi morto,
Boi morto, boi morto, boi morto.
Talvez ainda tenha tempo de me arrumar pra partida. Talvez eu possa lavar os cabelos e simplesmente ir. Como se hoje fosse um daqueles dias em que não chove, mas que também não faz um sol muito forte. Sempre uso protetor solar. E hoje, não levo um guarda-chuva. Acho que não vai chover.

(Todas as manhãs, o aeroporto em frente me dá lições de partir).

Monday, June 08, 2009





I.


VII. Para dizer é preciso se estar longe o bastante. Por isso começo do zero.

Sunday, June 07, 2009

I.

V. Looks like december. Parece que dizes. Parece bolero. Eu acho que eu já te contei essa história. Eu já te contei essa história?

Thursday, June 04, 2009

I.

IV. Fica combinado assim: me dá uma história e estamos quites.

Tuesday, June 02, 2009




atrás.


Quando achou que nada mais poderia querer nessa vida descobriu que agora talvez pudesse ser fantasma ou brinquedo. A gente tá ficando é velho e não doido. E a vida já nos advertiu dessa ambição besta de querer ser. Insistir no erro é bobagem. E porque é claro que era uma vez é mesmo um tempo muito longe de quando ainda se queria ser. (O que dizem mesmo sobre repetir um erro?) Porque a gente tá sempre dando um jeito de arranjar mais corda para se enforcar. E porque houve mesmo o tempo em que se acreditou ter deixado pra trás aquilo o que se queria ser quando crescer. E por fim, porque se inventa cada coisa! para garantir que tudo isso tenha sido há muito tempo. "E tu? Quantos anos tu tem?
não choro. o meu segredo é que sou um rapaz esforçado.

Aninha.


O tempo pode ser uma menina. E eu não posso olhá-lo sem me perguntar: como pode, Meu Deus? como pode haver cinco dedos longos e elegantes nessa mão de menina ? que história é essa que ele me conta cauteloso entre um abrir e fechar de olhos bem devagar?